A Montanha Esquecida não é um refúgio.

A Montanha Esquecida não é um refúgio.

É um organismo vivo.
Rica, bela e silenciosa — um planalto suspenso acima das nuvens, com nascentes, pomares, hortas, ferraria e um vilarejo que aprendeu, geração após geração, que viver ali cobra mais do que deveria.
De fora, parece pouco.
A montanha sempre preferiu parecer menos do que guardava.
O que ela guarda, não mostra.
O que ela cobra, não avisa.
As faces da montanha não são iguais. O bambuzal ao sul desvia sem bloquear. Os paredões do leste são belos e traiçoeiros. As cavernas do oeste guardam entradas que ninguém datou. A escarpa do norte vigia sem ser vista.
O caminho real ao topo não é trilha. É conhecimento.
E quem não tem esse conhecimento começa a errar antes mesmo de começar a subir.
No centro do planalto, uma oliveira antiga crava raízes na pedra.
Não é ornamento. É memória.
No mundo de Astra Superior, nenhum clã que não depende de cidade, tributo ou banco sobrevive em paz por muito tempo.
A Montanha Esquecida não depende de nenhuma das três.
Isso tem um preço. Para todos.